CRÔNICAS


O presidente que perdeu a maioria de si mesmo

por Carlos Castelo

A reunião após a derrota acachapante

O presidente convocou uma reunião extraordinária depois de saber que seu partido sofrera uma derrota esmagadora nas eleições parlamentares.
— Perdemos o Congresso, senhor — informou o chefe de gabinete.
— Impossível. Eu sou o Congresso.
— Constitucionalmente, não.
— Então mudem a Constituição.
— Perdemos os votos necessários.
O presidente ordenou que trouxessem todos os espelhos do palácio. Queria verificar se continuava sendo a maioria.
Os ministros examinaram seu reflexo. Por unanimidade, concluíram que sim.
— O problema são os eleitores — explicou o secretário da Democracia Controlada. — Estão votando sem consultar o senhor.
O presidente determinou que, dali em diante, cada eleitor deveria votar duas vezes: uma por si, outra pelo presidente.
— Ainda perderíamos — advertiu o assessor.
— Então cada eleitor votará apenas por mim.
Houve aplausos.
Entretanto, surgiu uma dificuldade: a derrota fora tão grande que até a sombra presidencial passara para a oposição.
O presidente mandou prendê-la. A sombra refugiou-se debaixo da mesa, onde fundou um partido.
Em quinze minutos, conquistou maioria absoluta entre os móveis.
A mesa exigiu eleições antecipadas. As cadeiras renunciaram. O tapete pediu asilo político.
Encurralado, o presidente decretou que o país inteiro passaria a ser governado por ele.
O país, consultado, preferiu mudar de endereço.


Publicado em 04/11/2026




Até que o Exército da Salvação os separe

por Carlos Castelo

Pensata sobre gêneros e identidades

O mundo tem evoluído numa velocidade espantosa no que tange às questões de gênero e identidade. E, por causa disso, em meio ao burburinho habitual do Fórum da Comarca de Cachoeira, o Excelentíssimo Juiz Hermenegildo Pompeu de Albuquerque Neto recebeu uma petição que o fez questionar sua carreira jurídica.

A requerente, Dolores Esmeralda dos Santos Silva, de 47 anos, professora aposentada e colecionadora de móveis antigos, solicitava formalmente autorização para contrair núpcias com uma cadeira Luís XV, fabricada em 1847, em madeira de mogno com incrustações de marfim e estofada em veludo bordeaux.

Homem de considerável experiência, o magistrado havia presidido casamentos entre pessoas de idades díspares, uniões entre indivíduos de diferentes credos e até mesmo cerimônias envolvendo cônjuges que se comunicavam através de memes. Mas aquilo era território inexplorado.

"Meritíssimo", dizia a petição, "a requerente manifesta profundo e sincero amor pela referida cadeira, com a qual mantém relacionamento estável há sete anos. O móvel em questão proporciona à suplicante o conforto emocional, físico e espiritual que jamais encontrou em relacionamentos convencionais com seres humanos."

O juiz ajustou os óculos. A argumentação era, reconhecia ele a contragosto, sólida. Citava precedentes de outros países onde objetos inanimados haviam sido reconhecidos como parceiros legítimos, invocava o princípio da dignidade humana e do livre arbítrio, e ainda anexava laudos psicológicos atestando a sanidade mental da requerente.

Na audiência, Dolores compareceu acompanhada por dois carregadores que transportaram a cadeira. O móvel possuía uma elegância incontestável. Curvas sinuosas, brilho acetinado na madeira, nobreza nas proporções. Tudo conspirava para fazer daquela peça um exemplar notável da arte moveleira francesa.

"Vossa Excelência", declarou a requerente com voz firme, "eu e Bartira" - pois assim se chamava a cadeira - nos completamos".

"Ela me oferece estabilidade e eu lhe dou o cuidado e a manutenção que merece. Nosso relacionamento é baseado no respeito mútuo, na confiança e no amor incondicional."

O promotor público, Dr. Augusto Severo, tentou argumentar sobre a impossibilidade legal da união, mas foi interrompido por Dolores, que brandiu uma pasta repleta de documentos comprobatórios: certificados de autenticidade da cadeira, laudos de restauração, apólices de seguro e até mesmo um testamento deixando todos os seus bens para o móvel.

Percebendo-se diante de um dilema, o juiz pediu um intervalo para reflexão. Em seus aposentos, contemplou a situação com a filosofia resignada de quem já havia visto de tudo na vida forense.

Ao retornar, proferiu uma decisão salomônica: "Considerando que o amor é o mais nobre dos sentimentos humanos, e que a Constituição garante a todos o direito à felicidade, defiro parcialmente o pedido. Autorizo a celebração de uma cerimônia simbólica de união, sem efeitos legais, mas com pleno reconhecimento do vínculo afetivo entre Dolores e Bartira."

E assim, três dias depois, o Cartório de Cachoeira assistiu à mais inusitada cerimônia de sua história. Dolores, radiante em seu vestido de noiva, pronunciou os votos diante de uma cadeira que, em sua imobilidade, aceitava com grandeza a nova condição de cônjuge.

E, no final, até que fez todo sentido. Todo casamento é assim mesmo: um sentado, o outro carregando o peso.


Publicado em 09/12/2025




A felicidade é um consignado

por Carlos Castelo

Sobre o fim da 6x1

Quando soube que o Brasil aprovou a escala 5x2, chorei. Não de emoção: porque finalmente teria tempo para chorar.

Liguei para o meu chefe para agradecer. Ele não atendeu. Achei elegante da parte dele, já estava praticando a nova determinação.

Comprei um maço de cigarros para comemorar. Não fumo, mas um homem com dois dias livres precisa segurar alguma coisa além da própria euforia.

Minha mulher perguntou o que eu faria com o sábado. Respondi que passaria o dia inteiro ao lado dela. Ela pediu que eu voltasse para a 6x1.

Fiz as contas, e contas são a única coisa que faço com prazer, exceto nas dívidas. Dois dias de folga por semana dão 104 por ano. Se cada dia vale uma alegria, sou o homem mais feliz do país. Se cada alegria custa um churrasco, sou também o mais endividado. A felicidade, como se vê, é um empréstimo consignado.

Um economista na TV disse que a medida vai quebrar o Brasil. Concordo com ele, e pretendo assistir à quebra deitado na rede, num sábado.

Agora vou parar de escrever. Não por falta de assunto. É que, a partir de hoje, não trabalho mais no fim de semana. Nem no fim do texto.


Publicado em 15/10/2026




26 de dezembro

por Carlos Castelo

25 de dezembro foi um espetáculo. Mas e o dia seguinte?

O dia 25 de dezembro foi um verdadeiro espetáculo. A manjedoura parecia o camarim de uma turnê do Paul McCartney: flashes celestiais, visitação VIP dos Reis Magos, e um bebê que brilhava mais que árvore de Natal de shopping. Mas, no dia 26, sem anjos cantando nem estrelas guiando, o clima era outro. Mais de segunda-feira modorrenta.

Maria acordou despenteada, com feno por cima da túnica, e as clássicas olheiras de recém-parturiente.

José era carpinteiro, só que nunca tinha visto um berço “monte-você-mesmo” estilo TokStok. E, para ser sincero, já estava arrependido da viagem inteira: devia ter reservado aquela pousada com banheiro conjugado, mesmo sem vaga para burros.

Falando em animais: ninguém preparou a família para o zoológico que era aquela cena. Um boi roncava alto encostado na parede, em sono profundo, sonhando com a aposentadoria. As galinhas, nervosas, ciscavam em volta do menino como se fossem seguranças particulares com penas. Um gato insistia em subir na manjedoura, talvez numa tentativa de ser o segundo mais adorado do recinto.

Gaspar, ainda em clima de ceia de Natal, resolveu dar banho em um camelo com mirra. Resultado: o bicho agora cheirava a vovó rica e se recusava a deitar no chão.

Melchior tentava organizar a bagunça:

- Em verdade, vos digo: isso aqui tá parecendo festival gospel alternativo: muita fé, pouca estrutura.

Baltazar, com mais presença de espírito, apareceu com pão e tâmaras. Tentou ajudar a embalar o bebê, mas foi ignorado solenemente por ele, que só dormia no colo da mãe.

Do lado de fora, os pastores debatiam se deveriam cobrar ingresso para entrar. Afinal de contas, estavam ali desde o dia anterior e era justo fazer algum denário comercializando selfies do recém-nascido.

- Milagre ou não, isso aqui virou ponto turístico — disse um deles, tentando convencer José a instalar um food truck com o nome “Sabor de Salvação”.

Foi quando o anjo reapareceu. De ressaca. Estava com um manto amarrotado e olhos de quem viu todos os séculos passarem de uma vez. Disse apenas:

- Avisa lá que começou o Novo Testamento, mas ninguém vai entender direito por uns dois mil anos.

E evaporou com um suspiro.

No fim do dia, Maria olhou o filho dormindo — finalmente — enquanto uma cabra comia o lençol do bercinho.

- Acho que vamos precisar de um plano de saúde – desabafou.

José concordou.

E Maria completou:

- E de uma babá, pelo amor de Deus.


Publicado em 23/12/2025




Aiiiéééééééééiiiiiifsh!

por Vasqs

A famosa borrachinha

Não se assustem, estou tentando criar uma onomatopeia pra um grito estridente de torneira. Pra mostrar como é, mais ou menos, o grito que minha torneira solta, quando abro - 3 mil Hz, notas de Sol7 a Lá7, segundo a IA.

O grito, isso não precisei da IA pra concluir, é provocado pelo desgaste do anel, a famosa borrachinha, causando atrito de metais, seguido desse som ardido e irritante.

Lembra muito o que acontece com nossa, a minha em particular, coluna. Entre uma vértebra e outra tem um disco que acha de envelhecer sempre que a gente envelhece. Daí que as vértebras se tocam, e em se tocando produzem dor, e produzindo dor, produzem grito, nosso, em certos casos muito semelhante ao da minha torneira - 3 mil Hz, notas de Sol7 a Lá7, segundo a IA.

Quando o médico, olhando o resultado dos exames, disse que eu tinha espondilodiscopatia degenerativa, segurei o berro; corri pro elevador, desci 3 andares, atravessei o corredor do térreo, passei pela catraca e, na frente do prédio, na Av. Paulista, aí sim soltei meu grito de torneira, misto de medo e dor:

- Aiiiéééééééééiiiiiifsh!

Mentira, não fiz nada disso. Mas que assustou, assustou.

Espondilodiscopatia degenerativa - recomenda-se não pronunciar na língua do "p" -, só não é maior que inconstitucionalissimamente ,que também assusta mas não dói direto na coluna da gente. É o "desgaste degenerativo dos discos intervertebrais e das vértebras da coluna vertebral", também segundo a IA.

A Av. Paulista é o fiofó do mundo. Ali ninguém se impressiona com nada, ninguém dá a mínima pra nada. Coisas assim, um grito, são comuns, toda hora um maluco grita pra chamar atenção. Estão habituadas, as pessoas, nada mais é inusitado na Av. Paulista.

Pra se ter uma ideia - juro dizer a verdade, vi com esses olhos que a terra há de comer com salsa e cebolinha - uma mulher, uma moradora de rua, caminhando absolutamente nua pela calçada, próximo da Rua Augusta, num horário de almoço, numa sexta-feira.

Alta, magra, esquelética, esturricada, pele queimada. O olhar perdido, mirando o nada, seguia ereta, sem direção, sem consciência de sua nudez, sem consciência sequer de sua existência.

Pois os que cruzavam com ela naquele horário, e eram muitos, em sua maioria a ignoravam. Alguns esboçavam um sorriso sarcástico, outros até estranhavam, mas a maioria seguia embotada, absorta no seu objetivo, fosse almoçar, voltar pro trabalho ou comprar uma capinha pro celular - uma doida a mais, tanto faz, foda-se.

Não os incomodou. Em parte foi bom porque seria hipocrisia, porque também não se incomodariam se ela estivesse vestida, se fosse "apenas" uma moradora de rua como as centenas que transitam por ali.

Por que se incomodariam com meu grito, se o tivesse dado? Ademais poderia nem ser um grito humano, poderia ser apenas o grito de uma torneira sem borrachinha, o que não mereceria sequer atenção de um cãozinho de madame.

O médico recomendou 10 sessões de fisioterapia, pra reforçar a musculatura em volta da coluna. Fiz 5 meses! Não resolveu nada, ainda incomoda, ainda dói a maldita espondilodiscopatia degenerativa.

Próxima encarnação, decidido: volto como torneira. Qualquer coisa, troco a borrachinha.


Publicado em 04/11/2026




Uma noite na caserna

por Vasqs

Por que um comunista colocaria um gato no armário?

Escalados pra fazer a vigília naquela noite, os recrutas Abílio e Pederneiras mantinham os olhos fixos na janela da guarita. Súbito, ouviram um barulho forte, que veio não de fora, mas de dentro do quartel, do escritório ao lado.

Espingarda em punho, os dois correram, atravessaram o corredor, a porta do escritório, e entraram. Entraram abaixados, cuidadosos, pé ante pé, olhos e ouvidos arregalados. Procuraram sob as mesas, cadeiras, armários, e pronto, ...era dali, de um dos armários, que vinha o barulho, alguma coisa que se mexia dentro.

Abílio aproximou-se lentamente e perguntou: quem está aí? Sem resposta, a porta entreaberta, ele puxou com cuidado com a ponta da espingarda. Foi então que um vulto saltou sobre ele, plóft! Parecia 3 quilos de massa de pastel, que bateu, arranhou sua cara e saiu, miando, desembestado, na velocidade de um coelho.

Como coelho não arranha e pastel não mia, só podia ser um gato. Um gato que em poucos segundos tinha vazado pela janela e já se embrenhava no meio do mato, no meio da noite.

Pederneiras bem que tentou, puxou a espingarda e atirou, uma, duas vezes. E errou, uma, duas vezes.

O barulho ecoou alvoroçando o quartel: luzes acendendo, homens na janela, correria.

Antes das 5 horas o sargento já tinha reunido a tropa toda, aos gritos:

- Pelotão, sentido!

Fez-se aquele barulho de coturnos batendo todos ao mesmo tempo: craec!

- Pelotão, descansar!, outro grito do sargento.

- Estou sabendo de tudo!

O pelotão todo também estava sabendo de tudo.

De novo o sargento:

- Um gato no armário do escritório assustou dois mariquinhas...E pior: conseguiu escapar!...

- Não é mesmo, recruta Abílio? - voltou-se olhando direto pro recruta Abílio.

- Si-sim, sargento, gaguejou o Abílio.

- Não foi assim, recruta Pederneiras? - falou agora olhando pro Pederneiras.

- Hã? Ah, foi, foi assim, sargento - respondeu o Pederneiras, sonolento.

O sargento andava de um lado pro outro, pisando firme, pensando no que dizer, e disse:

- Escapou, não é? Deixaram-o-gato-escapar... disse baixinho como que pra si mesmo.

- Preste atenção, pelotão - continuou - ... preste bem atenção na seguinte e importantíssima questão de cunho tático-estratégico.

Silêncio.

- Ok, era só um gato, apenas um gatinho inofensivo, assustado,... E assim mesmo ...escapou. Mas... - aqui sua voz subiu a 150 decibéis - ...E SE EM VEZ DE GATO, PELOTÃO, E SE EM VEZ DE GATO QUEM ESCAPOU FOSSE UM COMUNISTA?!

Mais silêncio, agora com arrepios.

- Hein, recruta Abílio, hein, recruta Pederneiras? - prosseguiu o sargento passando os olhos perscrutantes em cada um da tropa.

Então um deles lá no fundo ergueu a mão.

- Sargento – disse - um comunista cabe no armário?

Isso pôs o sargento mais vermelho que a bandeira do partido. Ergueu os olhos e rosnou:

- Idiota-imbecil. Estou propondo uma hipótese pedagógica. "Se", eu disse, "se fosse", no condicional, seu cretino.

Ato contínuo, outro ergueu a mão.

- Sargento! Existe gato comunista?

E antes que o sargento respondesse, um terceiro ergueu a mão.

- Sargento, se não tem gato comunista, os gatos de Cuba são o quê?

O sargento já parecia uma locomotiva, soltando fumaça por todos os orifícios: boca, nariz, orelhas e etc... até pelo etc.

Mas outro falou em seguida:

- Sargento, se era só um gato, e não um comunista, nem um gato comunista, nem um comunista gato, fim de caso, né?

- Muito bem... - reagiu o sargento - agora temos um espertinho! Como sabe que não foi um comunista que colocou o gato no armário?

- Desculpa sargento, mas... por que um comunista colocaria um gato no armário?

- Ah! Como se atreve o retruca me recrutar...hã... o recruta me retrucar?

O sargento estava realmente nervoso.

- Criatura ingênua - seguiu ele - idiota-irrecuperável, cretino-insolúvel, não sabe que eles fazem gatos engolirem escutas?!! Não sabe que põem bombas-relógio no intestino dos gatos?

- Ei, peraí, sargento, e se o gato entrou no armário só pra se esconder?, falou mais um sem sequer erguer a mão.

- Cala a boca!, fuzilou o sargento com voz seca. Outro espertinho!... Então me diz, criatura boçal, esconder de quem?

A essa altura a autoridade do sargento já estava à deriva. Foi quando um mais ousado emendou com uma voz esganiçada que parecia um... miado:

- Dos comunistas...

Essa o pelotão - e o Abílio, e o Pederneiras, não resistiram. Caíram na gargalhada, com o sargento roxinho da silva, vociferando:

- Cretinos, ordinários! Sentido! Sentido!

Deu uma pausa, respirou fundo, e soltou:

- COMUNISTAS! COMUNISTAS!


Publicado em 20/04/2026




Papo de galinha

por Vasqs

Lá até o frio é comunista. E nem tem Brad Pitt

Duas galinhas cacarejam enquanto ciscam e ciscam enquanto cacarejam. Uma formiguinha, cócó, uma minhoca, cococó. O papo vai longe.

- Na frente de uma livraria tem uma réplica da Mafalda.
- Não conheço.
- Personagem do Quino, Susana.
- Não conheço.
- Uma criança prodígio, incrível, uma pensadora.
- Comunista?
- Todo mundo quer fazer selfie com ela.
- Esse Quino é comunista?
- Não sei, era um gênio criativo.
- O que a Matilda pensa?
- Mafalda. Matilda é outra, uma que gosta de ler.
- Outra comunista.
- A Mafalda tem uma visão crítica da sociedade, do mundo, da vida...
- Não falei? É comunista... Sabia que minha sobrinha vai se casar?
- Não diga, parabéns!
- Vai passar a lua de mel em Miami.
- Que chique.
- 15 dias! É meu sonho que ela realiza.
- Quando?
- Em agosto. Vão passear na Disney.
- Ver o Mickey, que massa!
- E acho que vão visitar as rachaduras de San Andrés.
- "Falhas". E estão na Califórnia.
- Sou fissurada nisso, outro sonho meu...
- Em falha geológica, Susana?!
- E na Disney, sou fissurada na Disney. E em Hollywood. Pensou, Virgínia, uma selfie com o Brad Pitt?!
- Não me faz o gosto.
- Falar nisso o noivo se parece com ele, um príncipe! Tem até carro!
- Puxa!
- Outro sonho meu.
- Um carro?
- Um príncipe. Com carro. E você, pra onde gostaria de ir?
- Hum... talvez Espanha... talvez Rússia.
- Rússia? Que tem lá além de comedores de pintinhos?
- Comunismo de novo... Acabou faz 30 anos. Já tem até MacDonalds.
- Você acredita nisso?
- E tem a Transiberiana.
- A Transilvânia fica lá?
- Transiberiana. Sete dias viajando de trem, de leste a oeste. Que emocionante deve ser!
- Que atraso deve ser. Dez dias num trem!
- Sete. Eles têm uma cultura pródiga, Susana, secular! Dostoievsky, Tchaicovsky ,Kasparov, Gagarin, Sharapova, o Bolshoi, Einseintein...
- O da língua?
- Esse é o Einstein.
- E um frio dos diabos.
- Isso eu concordo.
- Lá até o frio é comunista. E nem tem Brad Pitt.
- Magina, ator ruim tem em todo lugar.
- Já encomendei pra minha sobrinha um secador, uma chapinha, uma escova modeladora, 4 bolsas e um air fryer, ... Tem air fryer na Rússia?
- Se tiver, não com esse nome.
- E um ativador de cachos, um triturador,... Quer alguma coisa? Tem minhocas em conserva, pedi 10 caixas .
- Processadas, industrializadas? Não, obrigada...Epa! falar nisso, achei uma! Uau, que suculenta. E totalmente orgânica!
- Puxa, que sorte... Ih,...ouviu? Meu galo tá cantando... Tenho que ir, se ele chega e não tem o que comer, tô depenada.
- Leva essa minhoca.
- Posso? Nossa, você é muito generosa.
- Nada, é bom dividir.
- Obrigada, Deus lhe pague.
- Tem diquê não, depois você me empresta o air fryer.
- Hã? Ah...Tchau, Virgínia.
- Tchau, ...papafrita.


Publicado em 25/07/2026




Anedota judaica

por Nelson Moraes

Se eu estiver certo...

Não, a anedota judaica que se segue não é uma parábola sobre a dificuldade de tentar trazer à razão – através de evidências sólidas, dados comprovados e lembranças factuais incontestáveis – uma parcela numerosa e arraigada (aliás, “raiz” tem um pouco a ver com o tema da anedota; lê até o fim) da opinião pública, o que até o momento se vem se mostrando infrutífero (“fruto” também tem a ver. Aguenta aí).

Alan Uterman conta que certa vez o célebre rabi Simeon Ben Eleazar, em confronto com autoridades talmúdicas a respeito de certa passagem no Tanakh (o conjunto de livros que formam a Bíblia hebraica), vendo que jamais demoveria os teimosos, retrógrados e intransigentes interlocutores com argumentos pautados pela mais pura lógica, partiu pro tudo ou nada.

– Se eu estiver certo – disse, apontando a janela –, que aquela árvore ali fora se mova pra provar.

Os demais olharam a árvore e em seguida entreolharam-se, até o que o mais velho dos rabis, dando de ombros, e pra terminar logo aquilo, concedeu não sem um tom de preguiçoso escárnio:

– Que seja.

Lentamente a árvore começou a se desenraizar, andando uns cinquenta centímetros pro lado.

Silêncio pesado, arrastado. Então o rabi mais velho deu um tapa na mesa:

– E desde quando eu vou aceitar opinião de árvore nessa discussão?!?


Publicado em 05/10/2026




Melhores amigos

por Nelson Moraes

Sexo muda tudo

Os dois terminam o rala-e-rola, na cama. Ele se vira pro lado, suando, arfando, feliz, e acende um Marlboro. Ela retoma o fôlego, também suada, e se espreguiça.
– Não grila não, viu? – ela diz. – Isso acontece.
– Oi? – ele fala.
– Isso o que eu falei. Pra você não grilar. Isso acontece.
– Ué – ele franze a sobrancelha. – Como assim, “acontece”? Você viu o que aconteceu?
– Vi, ué.
– Então. A gente... transou! Tivemos preliminares, a gente se excitou, consumou o ato de forma espetacular (a menos que você seja uma baita atriz) e você diz... “não grila não, que isso acontece?”
– Pois é. Falhou, né?
– Ahn...?!?
– Tá bom. Falhamos.
– Como?!?
– Era um teste pra ver se nossa amizade prevalecia sobre o sexo, caramba! Lembra que foi o que a gente combinou, pra ter certeza de que era só afeto, e não tesão? A expectativa era que você brochasse, pra então a gente descobrir, aliviados, que a cumplicidade permanecia, e que a gente poderia continuar sendo melhores amigos.
– Você tá dizendo que o sexo não foi bom?
– Foi ótimo. O que não foi bom foi o teste! Agora nossa amizade tá comprometida.
– Ah, também não é assim.
– É sim. Sexo muda tudo. Rolou algo mais, entende? Acabou aquela... identificação afetiva. Teve uma coisa, entre a gente.
– Sim. Um sexo inesquecível!
– Então. Não vamos ser os mesmos. Você vai ter seu mundo, eu o meu. A gente não vai mais poder se abrir um com o outro. Agora tudo de íntimo a seu respeito eu vou guardar pra compartilhar só com minhas amigas, e você do mesmo jeito, com teus parças. Fazer o quê? – e ela começa a se vestir.
Ele afunda a cabeça no travesseiro, aí toma fôlego e tenta:
– Tá bom. Seguinte: a gente esquece isso, vamos pra sala maratonar a série – e aqui ele enfatiza: – sem segundas intenções, e tomando o sorvete de flocos. Que tal?
– Não – ela diz, resoluta. – Série na Netflix, no mesmo sofá, sem segundas intenções, e tomando sorvete de flocos, só com o melhor amigo. Aliás, melhor amiga. Vou chamar a Tânia.
– A Tânia? Logo a Tânia?
– É, ué. Você tem algo contr... Ei, o que é isso?
– Isso o quê?
– Eu falei na Tânia e você... teve uma ereção?
Ele, sem saber pra onde olhar:
– Desculpa. Isso nunca me aconteceu antes.


Publicado em 20/10/2025




Entram num bar...

por Nelson Moraes

O revisor é uma anta

Entram num bar um padre, um pastor, um rabino e um imã. Mas como o revisor é uma anta, acabam entrando mesmo um pare, um pasto, um rabinho e um ímã.
– Bom, agora que virei uma placa de trânsito – diz o pare – , gostaria de apontar eu mesmo pro casamento homoafetivo, pra descriminalização do aborto, pra pesquisa com células-tronco e, principalmente, pra esses discursos progressistas do Papa.
Todos riem e o pasto toma a palavra:
– Pois já que passei a ser uma ampla campina, nada mais tenho a fazer do que oferecer minha verdejante relva à bancada ruralista de correligionários meus no Congresso Nacional. Mas não como cardápio, diga-se.
Risadas gerais.
– Sorte de vocês – diz o rabinho. – Pelo menos não estão indo contra sua orientação religiosa. Uma vez transformado em rabinho, vou provavelmente acabar numa suculenta feijoada. E feijoada não é kosher, caramba!!!
Todos começam a rir mas nesse momento um bando de fanáticos do Estado Islâmico entra no bar, depreda a placa, incendeia o pasto, pica o rabinho em pedacinhos e vai embora.
– Ai, ai – suspira o ímã. – É cada coisa que eu atraio.


Publicado em 14/09/2026



AGENDA

Livro
Culpa dos infernosO cartunista J. Bosco inverte a lógica do mal em sua sétima obra autoral

O cartunista J. Bosco inverte a lógica do mal em sua sétima obra autoral, O Diabo tem as Costas Largas, mostrando como as mazelas sociais nascem das escolhas humanas através de cartuns premiados e inéditos.
O livro conta com 62 páginas coloridas e reúne dezenas de cartuns, muitos deles inéditos e outros já premiados em salões de humor ao redor do mundo.
A proposta de J. Bosco é inverter a lógica tradicional do imaginário popular. Em vez de apontar para o diabo como o culpado externo por todos os males, o artista explora como o “mal” nasce das escolhas humanas cotidianas. Através do humor, a obra aborda temas espinhosos como corrupção, racismo, violência, devastação ambiental e fanatismo, transformando o personagem central em um observador irônico da nossa sociedade.




Exposição
Quadrinhos no PompidouReunindo fundamentos, surpresas e raridades, a exposição é uma verdadeira celebração dos quadrinhos.

Em 29 de maio foi aberta a exposição “Bande dessinée, 1964 - 2024”, no Centro Georges Pompidou, em Paris. A mostra pretende oferecer um diálogo inédito entre os 3 principais centros de expressão da banda desenhada: a criação europeia, os mangas asiáticos e os quadrinhos americanos. Reunindo fundamentos, surpresas e raridades, a exposição é uma verdadeira celebração dos quadrinhos. A exposição vai até novembro.





Livro
Pária amada, Brasil!Uma seleção meticulosa das máximas mais incisivas e humorísticas de Carlos Castelo

Carlos Castelo lança seu novo livro, "PÁRIA AMADA, BRASIL - 99 aforismos sobre o Brasil & um sobre Portugal”, recheado de observações sarcásticas sobre o país. Uma seleção meticulosa das máximas mais incisivas e humorísticas de Castelo, com base em sua carreira como colunista dos jornais Estadão, Rascunho e O Dia. Castelo criou uma provocação divertida sobre a cultura, a sociedade e as peculiaridades brasileiras. Uma coleção de aforismos que oferece aos leitores uma mistura inusitada de ironia, sagacidade e observações agudas sobre o Brasil. - Tempos Crônicos





Revista
Fenamizah de fevereiroEsta edição conta com a participação de 117 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.

Já está disponível pra download a edição de fevereiro de 2025 da revista eletrônica Fenamizah (edição 76), editada por Aziz Yavuzdoğan. Esta edição conta com a participação de 117 cartunistas e escritores de 39 países diferentes, incluindo cartunistas e escritores de renome mundial.
A revista eletrônica Fenamizah é publicada todo mês em plataformas digitais, oferecida gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo, sem nenhum propósito comercial.
Você pode baixar a edição de fevereiro gratuitamente clicando aqui.




Livro
VizungaObra-prima de Colin retorna em volume inédito pela editora Veneta.

Criado por Flavio Colin (1930–2002) e publicado originalmente em tiras diárias, entre 1964 e 1966, na Folha de S. Paulo, Vizunga é um dos pontos mais altos na história dos quadrinhos brasileiros. As tiras reúnem histórias do pescador e caçador Parcival de Carvalho, o Vizunga, e misturam elementos da cultura gráfica popular brasileira com o modernismo, em narrativas cheias de aventura, ironia e crítica social. Vizunga retorna em um volume inédito pela editora Veneta.




Livro
Os Migonautas As aventuras bem humoradas de ursos viajando pelo espaço.

Os Migonautas é uma série de tirinhas criadas por Mig Mendes. Com bastante estrada, a tira começou como tira diária de jornal, publicada em O Fluminense de Niterói e outros diários. Nessa época (1991 - 1993) o título era O Urso no Espaço. Depois as tiras foram recriadas para redes sociais no final de 2015, com muito mais cor, desenvolvimento de personagens e arcos formando pequenas histórias. O volume 5 dos Migonautas está em campanha no Catarse.




Revista
Fenamizah em edição especialEdição especial dos mestres do cartum mundial

A Fenamizah apresenta uma edição especial com 100 páginas em homenagem aos mestres do cartum mundial, apresentando trabalhos de Steinberg, Ziraldo, Mordillo, Hoffnung, dentre outros. Leia online ou baixe o pdf




Revista
Edição de abril da Fenamizah80 páginas com 137 cartunistas e escritores de 40 países diferentes

A edição de abril da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 80 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 137 caricaturistas e escritores de 40 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de abril aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Revista
Especial Dia das MulheresFenamizah comemora o Dia Internacional da Mulher com uma edição especial.

Comemorando o “Dia Internacional da Mulher”, foi publicado junto com a edição de março um álbum especial, “Women Cartoons - Fenamizah Extra”, incluindo cartuns, pinturas, ilustrações e escritos de 112 artistas profissionais e amadores de 34 países. Você pode baixar o PDF aqui ou ler online no site Fliphtml5.




Livro
O horror segundo Carlos CasteloCastelo revela que além do humor também habita nele uma inquietante galeria de horrores.

Há escritores que se especializam numa só faceta literária. Vivem e morrem na confortável casinha construída em torno de um único estilo. Não é o caso de Carlos Castelo, figura conhecida por sua trajetória múltipla. Jornalista, humorista, poeta, publicitário premiado e agora — para arrepio de muitos — autor de contos de horror.
Em Dentro de Mim Mora a Sombra, Castelo revela que, além do humor, também habita nele uma inquietante galeria de horrores. Com apresentação luxuosa assinada pelos escritores Bráulio Tavares e Gustavo Ávila, o livro chega como uma inesperada novidade. Quem diria que um dos criadores do icônico grupo Língua de Trapo, símbolo irreverente da São Paulo dos anos 80, também dominasse o sombrio e o macabro?
Inspirado em Edgar Allan Poe e Ambrose Bierce, escritores que transitaram habilmente entre o horror e o humor, Castelo reconhece que esses dois gêneros são como irmãos gêmeos univitelinos. Um provocando o medo, o outro o riso. E nessa coleção de histórias perturbadoras, o autor explora exatamente essa dualidade, mesclando folclore brasileiro, lendas urbanas e os dilemas mais sombrios da vida moderna.




Revista
Revista Fenamizah de marçoUma nova edição da revista internacional de humor Fenamizah .

Uma nova edição da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 100 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de março aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Livro
Histórias MínimasUm olhar afinado de Paulo Batista sobre detalhes do mundo cotidiano.

Um olhar afinado sobre detalhes do mundo cotidiano (que muitas vezes passam desapercebidos) disposto ao longo de oitenta páginas de pequenas HQs. É o conteúdo de Histórias Mínimas, novo livro do cartunista Paulo Batista, publicado pelo selo PB Editorial do próprio autor. “São temas que eu gosto de explorar como cronista do mundo do meu entorno”, diz o artista. Muitas dessas HQs e tirinhas foram publicadas no Instagram e páginas do Facebook identificadas com o mesmo título do livro. Agora editadas na sequência formam uma narrativa ainda mais interessante sob o traço delicado do cartunista. Para mais informações de como comprar o livro acesse aqui pelo Instagram ou Facebook





Livro
Ebal – Uma História IlustradaA editora de quadrinhos que marcou época e conquistou corações ganha um livro.

Em 1934, Adolfo Aizen criou o Suplemento Juvenil, publicação que revolucionou os quadrinhos no Brasil e liderou o segmento na maior parte de seus onze anos de existência. Até que, em 1945, Aizen parte para um novo projeto e cria a sua Editora Brasil-América.
Finalmente a editora de quadrinhos que marcou época e conquistou corações, ganha um livro à altura de sua importância. Fartamente ilustrado, com imagens raras e textos elucidativos frutos de uma minuciosa pesquisa realizada por vários autores.




Livro
Quadrinhos & PublicidadeA evolução dos quadrinhos na publicidade em centenas de anúncios.

Em uma fascinante jornada que começa no final do século XIX e chega aos dias atuais, Splash! Uma Breve História da Publicidade em Quadrinhos! mostra a evolução dos quadrinhos na publicidade no Brasil e no mundo, em centenas de anúncios.
Splash! Uma Breve História da Publicidade em Quadrinhos! é o resultado de uma pesquisa de quase vinte anos do ilustrador, diretor de arte e pesquisador Toni Rodrigues. O autor buscou, catalogou, apurou informações e recuperou imagens e arquivos considerados há muito perdidos em diversas fontes.




Revista
Nova edição da FenamizahPublicada gratuitamente em plataforma digital com a participação voluntária de artistas de todo o mundo.

A edição de dezembro da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 100 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 106 caricaturistas e escritores de 35 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de novembro aqui. Ou ler a revista online nos sites Calameo ou Fliphtml5.





Livro
Mortadelo e Salaminho estão de voltaOs agentes da T.I.A. agora com duas HQs em uma única edição

A Figura Editora ouviu o público, e o segundo volume de Mortadelo e Salaminho chega com dose dupla de HQs do genial Francisco Ibáñez. Isso mesmo, são duas aventuras dos agentes da T.I.A. em uma mesma edição de 96 páginas!




Livro
Cartuns EcológicosPlaneta em Risco" é o sexto livro do cartunista J.Bosco, trazendo 86 cartuns que abordam diversas formas de degradação do meio ambiente.

"Planeta em Risco" é o sexto livro do cartunista paraense J.Bosco, com mais de 40 anos de profissão, são 86 cartuns ecológicos, abordando diversas formas de degradação do meio ambiente, poluição dos rios e mares, desertificação, aquecimento global, extinção de algumas espécies marinhas, crise climática. Um livro com vasto material crítico, com linguagem universal, que nos leva a uma reflexão sobre o tempo de nossa própria existência.





Livro
Cartografias do fimAntologia de contos inéditos sobre a crise climática

A revista literária Subtextos, referência na publicação de ficção contemporânea brasileira no ambiente digital, anuncia o lançamento de seu primeiro livro impresso: Cartografias do fim.
Organizada por Mariane Lima, a antologia reúne treze escritores que abordam a emergência climática a partir de perspectivas e linguagens distintas — do fluxo de consciência ao conto de terror, passando por narrativas intimistas, distópicas e experimentais. O resultado é um mosaico literário que dialoga com as angústias, paisagens e possibilidades de um planeta em transformação, oferecendo uma seleção plural capaz de atender a diferentes sensibilidades de leitura.
O projeto se viabiliza por meio de uma campanha de apoio que oferece diferentes recompensas aos participantes.




Jornal
Nova edição do GrifoO acordo que China e América Latina estão costurando para superar a violência trumpista

No GRIFO 55, Jef Miola questiona “Que Congresso é esse?” (e nem tinha acontecido a barbárie contra Marina Silva). Essa postura agressiva e direitista não é exclusividade brasileira, mostram Luiz Faria analisando Trump, Tarso Riccordi questionando o “desprefeito” de Porto Alegre. Já Winckler aborda o acordo que China e América Latina estão costurando para superar a violência trumpista. Coisa que ficou bem ilustrada na capa do Eugênio Neves.




Livro
Níquel NáuseaFazendo 40 anos

Níquel Náusea, personagem imortal de Fernando Gonsales, está fazendo 40 anos. E a Z Edições apresenta esta coleção que irá reunir todas as tiras criadas por Fernando nessas quatro décadas.




Revista
Fenamizah de junho80ª edição da Fenamizah e-magazine

A 80ª edição da Fenamizah e-magazine está disponível para leitura online ou download. Editada por Aziz Yavuzdoğan, a nova edição conta com a participação voluntária de 130 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.




Livro
O humor de VasqsPapo Gaio de Maritacas

Vasqs vai lançar seu novo livro de humor, Papo Gaio de Maritacas, pela editora Converso. O lançamento será no dia 29 de novembro, das 14h às 17h, no Mi & Mo Gato Café (rua Coronel Oscar Porto, 400), próximo ao metrô Brigadeiro.




Livro
A lírica visual de FaustoUm lírico passeio gráfico indo do humor à poesia visual.

Fausto Bergocce é cartunista, ilustrador e multiartista visual, com obras que transitam entre o desenho, a pintura, a colagem e a fotografia, integrando aos cartuns, tiras e charges muito desses conhecimentos. Seu novo livro, Simples Cartum, é um lírico passeio gráfico indo do humor à poesia visual.




Jornal
Novo vôo do GrifoO jornal apresenta um vasto material de charges e textos combativos, destacando neste número 51 o cinquentenário de Rango de Edgar Vasques.,

Saiu o novo número do Grifo, publicação de humor e política editada pelos cartunistas da Grafar (Grafistas Associados do RS). Publicado desde outubro de 2020, o jornal apresenta um vasto material de charges e textos combativos, destacando neste número 51 o cinquentenário de Rango, antológico personagem criado por Edgar Vasques em plena ditadura militar.




Livro
Relicário de afetosTudo com humor, lirismo e ironia

Carlos Castelo, reconhecido por sua verve humorística e seu olhar afiado para o humano, reúne em seu novo livro, Museu de Musas, letras e poemas escritos ao longo de décadas. São declarações tardias, confissões improvisadas, bilhetes que nunca foram entregues. Musas reais ou inventadas, passageiras ou perenes, todas reunidas neste espaço de palavras que ora se parece com um quarto de pensão, ora com um altar pagão.




Revista
Fenamizah de maioNova edição com trabalhos de 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.

A nova edição da Fenamizah foi publicada, com trabalhos de 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes. Baixe o PDF aqui.
Você também pode acompanhar as novidades no site.
A Fenamizah e-magazine é publicada gratuitamente todos os meses na plataforma digital, com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer finalidade comercial.




Cards
Heróis & HeroínasHomenageando os grandes artistas da música brasileira

No intuito de homenagear personagens históricos da música brasileira, o caricaturista e ilustrador Eduardo Baptistão e Geraldo Leite, músico e radialista, lançam Heróis & Heroínas da Nossa Música, um caixa contendo 52 cards, com as caricaturas e mini biografias dos artistas de MPB, Samba, Choro, Bossa-Nova, etc. Além disso cada card acompanha um QR Code com playlist de cada artista, preparada por Geraldo Leite.




Revista
Fenamizah de julhoA edição de julho da revista internacional de humor Fenamizah foi publicada.

A edição de julho da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. Editada por Aziz Yavuzdoğan e publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de julho aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Livro
A volta de MoebiusHá quase duas décadas fora de catálogo, o trabalho de Moebius finalmente volta pela editora Tábula.

Moebius é um autor muito prolífico com várias coletâneas e personagens. Suas histórias curtas publicadas da Metal Hurlant (França) e Heavy Metal (EUA), revolucionaram o mercado dos quadrinhos.
Há quase duas décadas fora de catálogo, o trabalho de Moebius finalmente volta pela editora Tábula em uma edição que reúne material consagrado, além de algumas histórias inéditas no Brasil.




Livro
Caricaturas de J.BoscoMúsica, cinema, literatura e caricaturas

O livro J.Bosco Caricaturas (formato 23 x 27 cm - 90 páginas) retrata algumas celebridades da música, cinema e literatura em traços preto e branco, uma homenagem ao estilo clássico da caricatura. São 75 desenhos, entre eles Lupicinio Rodrigues, Quenti Tarantino, e Ariano Suassuna, com apresentação de escritores e caricaturistas como, Miran (editor e diretor da revista Gráfica), Marko Ajdarik, Haroldo Gepp, Luciano Magno, Solda e Adriano Barroso. O livro faz parte das comemorações dos 25 anos de atuação de J.Bosco no jornal O Liberal, de Belém do Pará, como chargista diário e caricaturista.




Revista
Edição de janeiro da FenamizahJá está disponível a 75ª edição da "Fenamizah", publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan .

Já está disponível a 75ª edição da "Fenamizah", publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan, com participação de 115 cartunistas e escritores de 36 países diferentes. A “Fenamizah E-Magazine” é publicada mensalmente na plataforma digital com a participação voluntária de artistas de todo o mundo. É publicado gratuitamente, sem qualquer finalidade comercial. Baixo o PDF aqui ou leia online no Fliphtml5.




Revista
Nova edição da FenamizahJá está disponível a 83ª edição da Fenamizah, publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan.

Já está disponível a 83ª edição da Fenamizah, publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan. Você pode ler a edição online aqui ou baixar o exemplar em pdf aqui.




Livro
Tom & LauraO poder no Brasil - a partir do ponto de vista de um casal de vira-latas no cio.

A política brasileira pode ser chamada, às vezes, de uma grande cachorrada. É o que se vê nesta sensacional antologia de tiras em cores do publicitário, compositor e músico Carlos Castelo e do cartunista Bier. Um jeito irreverente, divertido e com sacadas geniais de observar o poder no Brasil - a partir do ponto de vista de um casal de vira-latas no cio. Morra de rir com este livrinho em formato de talão de cheques com a qualidade da Editora Noir.
Opiniões (sinceras) sobre a obra:
"Livrinho ingrato: prova de que o homem é o PIOR amigo do cão..." - Edgar Vasquez
"A tira é boa, mas tirem os cachorros" - Spacca
"Quem são Tom & Laura?" - Laerte
"Que cachorrada do Castelo e do Bier!" - Chico Caruso





Revista
Nova edição da FenamizahEm sua 82ª edição, a revista eletrônica Fenamizah apresenta 128 cartunistas e escritores de 40 países diferentes.

Esta 82ª edição da revista eletrônica Fenamizah, publicada por Aziz Yavuzdoğan como editor-chefe e com a participação voluntária de cartunistas e escritores de renome mundial, apresenta 128 cartunistas e escritores de 40 países diferentes. Baixe seu exemplar em PDF aqui ou leia online no Fliphtml5.





Humor ambientalA floresta também pode ser defendida com traços e sorrisos

A floresta também pode ser defendida com traços e sorrisos, é o que mostra o livro Amazônia Meu Humor – 40 anos em defesa da Amazônia, de Paulo Emmanuel.
A obra reúne quatro décadas de cartuns dedicados à luta ambiental na região, em um registro histórico e artístico que transforma humor em resistência. Emmanuel, referência do humor gráfico na Amazônia, consolida no livro sua trajetória marcada pela crítica afiada e pelo olhar sensível sobre os desafios ecológicos da floresta.